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novembro 06, 2013

Livro The Best of Men - O MELHOR ESPETÁCULO DO MUNDO - Parte 8





20/11/1972, Hawaii
Nos finais de 1972, Elvis Presley anunciou os planos para fazer uma difusão de uma produção ao vivo para todo o mundo via satélite, uma ideia que atraía bastante o seu sentido do drama. Foi uma mestria posta em prática sem precedentes, um concerto visto em todo o mundo dado pelo único artista cujo nome era reconhecido em todo o lado.

Tem-se dito que Elvis preferiu fazer o espetáculo do que ceder às pressões constantes de fazer uma tournée mundial. Elvis, claro, nunca tinha saído do continente norte americano. O espetáculo foi tratado principalmente para satisfazer as exigências particulares dos mercados televisivos crescentes dos países asiáticos. Elvis iria atuar no Honolulu International Center, no Hawaii, no dia 14 de janeiro de 1973, às 12h30, uma hora que coincidiria com o horário nobre na Ásia. Os telespectadores europeus receberiam o espetáculo no dia seguinte. Os americanos, que podiam ver Elvis atuar em muitas cidades, não iriam ver o concerto até uma data muito posterior.

Os problemas técnicos inerentes a esta difusão transformaram-no no evento televisivo mais dispendioso de todos os tempos, chegando aos 2,5 milhões de dólares. A RCA anunciou que uma gravação do concerto iria ser lançada em simultâneo em todo o mundo, algo inédito na indústria discográfica. Apropriadamente, a capa do álbum mostrava o planeta terra e um satélite em órbita, e intitulou-se, Aloha From Hawaii Via Satellite.

Enquanto estava no Hawaii durante a sua tournée de novembro de 1972, Elvis anunciou que a venda dos bilhetes do espetáculo Aloha From Hawaii reverteria para a Liga Contra o Câncer Kui Lee. Esta organização de caridade tinha recebido o seu nome a partir de Kuiokalani Lee, que tinha composto a canção I’ll Remember You, que Elvis gravou em 1966 para o filme Paradise Hawaiian Style, e que cantava sempre nos seus espetáculos no Hawaii. Kui Lee morreu de câncer pouco depois da gravação de Elvis ter sido lançada.

Os bilhetes foram vendidos para o espetáculo de ensaio no dia 12 de janeiro e também para o dia 14, mas o método da venda foi digamos que pouco convencional. Os bilhetes não tinham preço. Só o que se exigia era que ao obter um bilhete se contribuísse com um donativo para a Liga. Qualquer quantia, por mais pequena que fosse, era aceitável. O público respondeu de forma generosa. A cidade de Honolulu sentiu-se grata que Elvis estivesse mais uma vez doando os seus esforços e talento para causas havaianas. O Mayor Frank F. Fasi declarou o dia 13 de janeiro o Dia de Elvis Presley em Honolulu.
O especial televisivo começou com uma fotografia de um satélite e o som de um sinal de transmissão. Depois o nome “Elvis” apareceu em várias línguas estrangeiras, cada uma a brilhar ao som de cada sinal de transmissão. Elvis entrou no palco vestindo um jumpsuit branco com uma águia americana incrustada atrás e à frente. Tinha pedido ao seu estilista, Bill Belew, para fazer um desenho que desse ênfase ao seu patriotismo. O jumpsuit tinha sido originalmente feito com uma capa que dava pelos tornozelos. Era muito pesada e Belew fez uma versão mais curta que Elvis usou no palco. Hoje, a capa original, que Elvis não usou, está exposta em Graceland.

A reação do público para com a presença de Elvis foi selvagem e entusiástica. Elvis estava no seu auge. Enquanto pegava no microfone, o público estava já todo sob o seu controle. Fascinados pela excitação do momento, aplaudiam todas as canções. Elvis é que deu o ritmo que entendeu ao espetáculo e deu a todos o que queriam. Durante as baladas românticas, aceitou beijos das admiradoras. Às vezes entregava um lenço. Durante a canção Steamroller Blues, deu um tom sexy à sua voz. Elvis fazia-os gritar de prazer com um virar do rosto, um olhar conhecedor. Acabou cada canção de forma poderosa, quase sempre com uma pose de karaté. A sua banda, todos veteranos do seu espetáculo em Las Vegas, pareciam conhecer todos os seus gestos.

Perto do final do concerto Elvis anunciou que o espetáculo tinha conseguido render 75.000 dólares para a Liga Contra o Câncer Kui Lee. Era o triplo da quantia esperada. Duas moças em particular quiseram agradecer a Elvis pelo donativo. As filhas de Kui Lee ficaram paradas perto do palco, com esperanças de que Elvis reparasse nelas e lhe pudessem dar um oi, mas não encontraram a oportunidade certa. Provavelmente Elvis nunca chegou a saber que elas estiveram lá.


Para a última canção, Elvis reservou Can’t Help Falling In Love, um êxito do seu filme Blue Hawaii. Charlie Hodge colocou em Elvis a capa branca que ele deveria ter usado durante todo o espetáculo. Enquanto os cantores de apoio continuavam a cantar a canção, Elvis caminhou uma última vez para perto dos seus fãs. Alguém do público deu-lhe uma coroa dourada, onde ele se recusou a usar, apenas levando-a. No final da canção, ele atirou a capa para a multidão e abandonou o palco.

Este evento foi difundido ao vivo para mais de um bilhão de pessoas em quase 40 países. Elvis conseguiu captar 91,8% da audiência nas Filipinas e 70% em Hong Kong. Ambos os países reportaram audiências nunca antes vistas. Até mesmo alguns cidadãos da China Comunista, que tinha acesso à televisão de Hong Kong e Macau, viram o espetáculo.
Elvis tinha feito algo notável – uma atuação ao vivo que seria recordada em todo o mundo durante muitos, muitos anos.



O MELHOR ESPETÁCULO DO MUNDO - 6

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