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outubro 21, 2013

KING CREOLE - Análise Histórica

Os Anos de Formação - 1956-1958

King Creole, o quarto filme de Elvis (e o seu último a ser filmado em preto e branco) foi o único feito em 1958. De fato, quase nem chegou a ser feito. Elvis tinha recebido uma notificação do Exército, mas uma vez que o trabalho de pré-produção do filme já tinha começado, os estúdios da Paramount ficaram aparentemente em pânico devido ao investimento financeiro já aplicado no projeto. A seu pedido, Elvis escreveu pessoalmente uma carta ao quadro de recrutamento, pedindo um adiamento de três meses para que tanto ele como a Paramount pudessem cumprir com as suas obrigações. O pedido foi concedido, para grande alívio dos estúdios. Elvis completou o filme, depois vestiu  a farda militar. Passariam mais de dois anos até Elvis voltar a pisar em um estúdio cinematográfico – com uma imagem completamente nova.

O realizador de King Creole foi Michael Curtiz, Hal Wallis produziu e o argumento foi escrito por Herbert Baker e Michael Vincente Gazzo.



Elvis com Walter Matthau.

Vic Morrow, no papel do futuro gangster Shark, apresentou um desempenho sólido, e ajudou a estabelecer a atmosfera turbulenta do filme. Morrow foi um ator bastante proficiente que gozou de um sucesso duradouro até à sua morte, durante as filmagens de The Twilight Zone, de John Landis, em 1982.

O ator veterano, Dean Jagger, representou o papel do pai  de Elvis no filme. A sua carreira começou no palco, depois mudou para o cinema. 

Carolyn Jones foi esplêndida no papel de Ronnie. Ela já tinha aparecido em vários filmes notáveis dos anos 50, incluindo The Big Heat, de Fritz Lang (1953); The Seven Year Itch, de Billy Wilder (1955); e Invasion of the Body Snatchers, de Don Siegel (1956). No ano anterior a King Creole, Carolyn Jones foi nomeada para um prémio da Academia pelo seu desempenho em The Bachelor Party, de Delbert Mann.

Num pequeno papel, como Sal, um dos elementos da gangue, encontramos Brian Hutton. Cerca de uma década mais tarde, ele começou a realizar filmes, com o nome de Brian G. Hutton, e entre os filmes que realizou, encontram-se dois filmes com Clint Eastwood – Where Eagles Dare (1969) e Kelly’s Heroes (1970).

Na história, Elvis é o beligerante e confuso Danny Fisher – um jovem atormentado por crescentes problemas emocionais, tanto em casa como na escola secundária. Para apoiar o rendimento da sua família (sendo esta composta pelo seu pai viúvo e uma irmã), trabalha como ajudante num clube noturno local.

A música em King Creole é absolutamente de primeira classe – uma mistura cuidadosa de rock’n’roll e jazz de Dixieland, produzindo uma trilha sonora imensamente agradável.

Dois singles foram lançados deste filme, consistindo em Hard Headed Woman / Don’t Ask Me Why e King Creole / Dixieland Rock (este apenas no Reino Unido). Em Julho de 1958 o primeiro lançamento chegou ao 2º lugar das tabelas, e em Outubro o segundo single chegou ao 3º lugar. A trilha sonora, na sua íntegra, foi um exemplo excelente de Elvis no seu melhor, e incluiu o clássico Trouble – uma canção fenomenalmente desempenhada no filme.


O progresso na forma de representar de Elvis foi mais que evidente em King Creole. O seu desempenho parecia muito mais profissional que nos seus três filmes anteriores.
O filme baseou-se no livro de Harold Robbin, A Stone for Danny Fisher, mas com a exceção de alguns nomes de personagens e uns poucos de incidentes, tinha poucas semelhanças com o romance. No livro, cuja ação se passa em Nova Iorque, temos Danny como um boxer, ao passo que em King Creole, a história passa-se em New Orleans (que é, obviamente, o núcleo da música jazz de Dixieland, e isto foi bastante demonstrado na música do filme), e aqui o objetivo a atingir era a cantar e não  fazer pugilismo. No entanto, tendo dito isto, a atitude marcante do personagem foi certamente mantida, já que muitas cenas foram contidas no filme – sendo as mais convincentes as da luta com facas no beco, entre Danny e Shark.

O realizador do filme, natural da Hungria, Michael Curtiz, estava então quase no final da sua ilustre carreira (que tinha começado em 1912 quando já realizara alguns filmes na sua terra natal). Os seus muito bem sucedidos filmes incluem alguns clássicos dos anos 30 e 40, tais como The Change of the Light Brigade, com Errol Flynn; Angels With Dirty Faces, com James Cagney; e Casablanca, com Humphrey Bogart, pelo qual Curtiz ganhou um Prémio da Academia.

Deve ter sido uma despedida estranha para ele, estar envolvido no que essencialmente era um drama musical – muito concebido como um veículo para Elvis Presley. Claro que ele já tinha feito Young Man with a Horn, com Kirk Douglas (no Reino Unido: Young Man of Music), em 1950 e o remake de The Jazz Singer, em 1953.

O produtor Hal B. Wallis já tinha trabalhado em dois destes filmes com Michael Curtiz, por isso já conhecia a técnica de filmar deste realizador. Ambos os homens eram relativamente velhos em 1958 e se levarmos em consideração que a intenção do filme era apelar ao mercado na maior parte adolescente, então qualquer motivação artística da sua parte poderia ser questionável.

Os críticos elogiaram o desempenho de Elvis em King Creole, afirmando que estava efetivamente  estabelecendo-se como ator. Aos 23 anos, Elvis deve ter ficado encantado com estas críticas. Em entrevistas que deu, ele tornou bastante claro que o seu maior desejo era ser um ator bem sucedido.

Talvez o que tenha faltado a Elvis naquela altura tenha sido uma influência que o orientasse na indústria cinematográfica. Natalie Wood, no programa da BBC, Peeble Mill, pouco antes da sua morte em 1981, falou sobre a sua associação com Elvis em 1957. A jovem Wood achava que ele tinha imenso talento e potencial como ator e que, se tivesse estado sob a asa de alguém como Elia Kazan, poderia ter desenvolvido uma bem sucedida carreira dramática no cinema. Provavelmente ela estava correta quanto a isto, porque nos poucos argumentos com algum sentido que foram entregues a Elvis, a sua presença foi quase tangível – forçando o público a olhar e talvez quase a esquecer por completo as suas origens musicais.

No documentário da BBC de 1987, Presley, o compositor Jerry Leiber ecoou os comentários de Natalie Wood quando disse:

“Nós (indicando ele mesmo e o seu parceiro, Mike Stoller) falávamos sobre a possibilidade de um projeto com Elvis Presley, e o que queríamos fazer era o livro de Nelson Algren, A Walk on the Wild Side. E eu sabia que (Elia) Kazan tinha evidenciado algum interesse no projeto e achava que Presley tinha um talento cru que podia ser desenvolvido, sabe, numa espécie de versão tipo James Dean. E ficámos muito entusiasmados, mas fomos para um beco sem saída… se alguma vez mais tentássemos seguir nessa direção – tentar transformar Elvis em alguma espécie de artista, o que fosse – e não o deixássemos ser quem era, então não iríamos trabalhar para ele durante muito mais tempo.”

Infelizmente, o único mentor à volta de Elvis era o Coronel Tom Parker, que fez negócio atrás de negócio abrangendo tanto a carreira discográfica como cinematográfica de Elvis. O seu objetivo, em si só admirável, era manter Elvis no topo. No entanto, se agora a famosa história sobre Parker receber 50% dos lucros de Elvis se provou verdadeira, então pensem no que isso poderia fazer pela sua conta bancária. A qualidade dos projetos parecia ser de pouca importância para o Coronel. Triste e inexplicavelmente, o próprio Elvis parecia aceitar a situação.

Já em Junho de 1972, quando de fato a carreira cinematográfica de Elvis já havia terminado, numa conferência de imprensa que deu no Hilton Hotel de Nova Iorque, Elvis afirmou que andavam naquele momento “à procura de um bom argumento”. Talvez isso fosse apenas carne para canhão para os jornalistas; mas também podia ter sido uma necessidade de exprimir um desejo pessoal pelo que Elvis pode muito bem ter considerado uma ambição por realizar. Independentemente do motivo, nunca viria a acontecer. Sem a oportunidade de se redimir, a prolífica, mas desenxabida carreira cinematográfica de Elvis está aberta a constantes críticas. Talvez em parte isto seja merecido, mas infelizmente faz com que não se preste atenção ao trabalho excelente que ele produziu numa minoria dos seus filmes.

King Creole continua a ser um dos melhores filmes de Elvis e é, sem dúvida, um dos seus melhores desempenhos. Se papéis semelhantes lhe tivessem continuado a ser atribuídos após o seu regresso ao cinema em 1960, então ele poderia ter-se tornado um ator extremamente bem sucedido. Mas como não foi o caso, a abordagem de Elvis para com os filmes foi-se tornando cada vez mais apática.

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