Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

maio 28, 2013

Elvis Presley - Anos de Concertos - 1969 - 31 de Julho a 28 de Agosto (Las Vegas)


Las Vegas - 57 Espetáculos - 1ª Temporada



Apesar das luzes de neon, teatros com drapeados de veludo e a versátil oferta de entretenimento – Las Vegas tinha se tornado  ultrapassada. Faltavam grandes sensações: artistas que atraíssem o público à cidade. Somente  poucos espetáculos conseguiram esgotar os seus 400 ou 800 lugares.


Mas em 31 de Julho as fronteiras de Las Vegas se modificaram. O novo teatro da cidade, 3 ou 4 vezes maior que a maior parte dos outros, está completamente lotado.

Toda a atenção dos interessados em música estava virada para a sala de 2.200 lugares. Era para ali que todos vinham. Até aviões cheios chegaram de todos os E.U.A., Canadá, Japão e Europa...
Elvis estava de volta.


A orquestra terminou a sua abertura e sob o trovejar da bateria de Ronnie Tutt, toda a sala explodiu numa loucura de gritos, ovações e aplausos que parecia nunca mais acabar.

Uma figura vestida de preto entrou no palco. Agarra o microfone e solta o primeiro fôlego de 8 anos de energia reprimida: “ Weelll, it's one for the money, two for the show...
Jornalistas, atores e cantores, Cary Grant, Ann-Margret, Shirley Bassey, Burt Bacharah... A cantora Petula Clark põe-se de pé sobre uma cadeira gritando. Jack Good, o famoso produtor de televisão, disse depois: “Eu tive a sorte de ficar numa mesa a nível do centro do palco – uma mesa sobre a qual, me envergonho de dizer, dei comigo a dançar no final do espetáculo de Elvis. Sempre que Elvis recebia um desafio, tentava sempre dar o seu melhor. E o seu melhor sempre foi o melhor que existiu.”


Elvis estava visivelmente nervoso durante Blue Suede Shoes, e a guitarra pendurada no pescoço serviu mais de conforto do que de instrumento musical. Mas a reação esmagadora do público o liberta da tensão, deixando sair energia pura, um acúmulo de prazer musical, o resultado de um talento único, muitas semanas de ensaios e mais ensaios. Armado de alguns dos melhores músicos do mundo do rock e do country, da orquestra do International bem como de cantores de apoio, Elvis arrasou por completo o público. “Dou-lhe mais 300 pontos que à Barbra Streisand,” grita um velho no público. Da mesa ao lado ouve-se: “Pelo menos 400!” Ao que o velho replica: “Tem toda a razão!

Elvis recuperou o fôlego  e continua com I Got A Woman antes da luz baixar um pouco e de Love Me Tender fazer os presentes parecer hipnotizados. Mas o palhaço que existia dentro de Elvis muda a letra de vez em quando e o público irrompe várias vezes às gargalhadas. Agora é chegada a altura para um medley: Jailhouse Rock, Don’t Be Cruel, Heartbreak Hotel, All Shook Up e Hound Dog. Depois desta mistura perfeita de nostalgia, Elvis acalma todos com Memories, delicada e bela. O ritmo volta a aumentar. My Babe sai com força pelos microfones, enquanto Elvis, de uma forma ligeiramente mais controlada, move o seu corpo ao ritmo desta canção de gospel original. O poder da sua voz sai a todo o vapor em I Can’t Stop Loving You, antes de atuar uma das suas melhores canções de sempre: In the Ghetto. Comovente, cheia de alma, nem um som se ouvia na sala, nenhuma brincadeira por parte de Elvis. E depois, a grande surpresa: Suspicious Minds. Foi como um choque, desconhecida para todos, uma longa demonstração de 6 minutos de energia e musicalidade – como que para eliminar todas as dúvidas sobre quem é que agora governava Vegas, de quem era o Rei. Como se qualquer uma das 2.200 pessoas presentes na sala de espetáculos tivesse duvidado disso no minuto em que Elvis surgira sobre o palco há uma hora atrás. O final da canção é o clímax da exibição energética da noite, quando Elvis, com movimentos graciosos e explosivos, demonstra que ele também conhece a arte do karaté.

O público pôs-se todo de pé numa homenagem apaixonada para com este fenômeno vestido de preto que fez com que tanto jovens como idosos reavaliassem as suas percepções acerca daquilo que um artista pode realmente produzir através da fantástica arte da canção.

Elvis desliza para Yesterday, dos Beatles, não fica à espera que o aplauso do seu número anterior diminua e continua com um especial Hey Jude: Elvis canta apenas “Hey Jude, da da da...” enquanto o seu corpo inteiro é abalado por uma exibição de ritmo tornando desnecessária a utilização de letras com sentido. Johnny B. Goode mantém o ritmo acelerado e, depois, Mystery Train, Tiger Man, rock’n’roll puro, intenso e duro

Depois segue-se a última grande exibição de força – todo o seu corpo se move... selvagem... indomável... natural... a voz  gritando as letras com mestria de What’d I Say. De súbito, a canção termina, e Elvis desaparece do palco. O público põe-se de pé em bloco, em homenagem. As luzes do teatro são acendidas e Elvis aparece de volta para concluir o seu regresso sensacional com Can’t Help Falling in Love.

Elvis apressa-se para o seu camarim, onde amigos e colegas de trabalho estão sorridentes de prazer para o receber. O Coronel Parker e Elvis encontram-se, unem-se num abraço, enquanto as lágrimas correm seus rostos.

Eles tinham feito uma grande aposta – e tinham ganho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

back to top