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janeiro 03, 2010

Livro retrata os romances de Elvis Presley




No dia 8 de janeiro será comemorado o 75º aniversário de nascimento de Elvis Presley. Não tema a possibilidade de que esse marco seja celebrado com discrição demais.
Elvis 75 (um apelido abreviado para o evento em si, bem como o título de uma nova coleção de grandes sucessos) irá trazer uma enxurrada de festividades comemorativas e produtos, como festas em Graceland, shows com sósias de Elvis e um filme sugerindo que Presley, que morreu em 16 de agosto de 1977, passou as últimas três décadas no espaço sideral.
O evento terá tudo, exceto noções realistas de como o descontrolado e autodestrutivo Elvis seria aos 75 anos.
Naturalmente, existem livros. Muitos e muitos livros. Entre os destaques que vão além da exposição abrangente do médico que sabe muito sobre a morte de Presley e de uma hagiografia escrita por um amigo de longa data que gosta de dizer que a América teve muitos presidentes, mas apenas um Rei está o longo livro de Alanna Nash sobre a história de Elvis com as mulheres. Ela astuciosamente pegou emprestado um dos títulos de música mais sedutores do cantor, Baby, Let’s Play House.
Como o livro de Nash é cuidadosamente detalhado e mais longo do que muitas biografias de presidentes americanos, há razão para acreditar que ela deve ter realizado um trabalho sério. Ela também aborda o assunto com um início fluente. Como a autora de The Colonel, sobre os truques espalhafatosos do notoriamente agente de Presley, o coronel Tom Parker, bem como de Elvis and the Memphis Mafia, ela parece ser alguém bem relacionada no mundo de Presley. Por isso, é apenas um pouco preocupante ver que Nash é identificada na sobrecapa de seu novo livro como “a primeira jornalista a ver Elvis Presley em seu caixão.”
O sopro de curiosidade mórbida acaba sendo determinante. Assim como a gênese de Baby, Let’s Play House: Nash reconhece que inicialmente escreveu um artigo voltado para mulheres no Ladies’ Home Journal e então decidiu expandi-lo. Assim, armada do que ela muito apropriadamente chama de “uma história oral de algumas mulheres da vida de Elvis”, Nash começa a preencher sua história com três tipos de material: suas entrevistas legítimas (algumas com mulheres ainda sofrendo por Elvis 50 anos após seus encontros fatais), fofocas de segunda mão (de memórias autocentradas e publicações de fãs) e papo de psicologia. Juntos, esses elementos guiaram a autora pela longa e tortuosa trilha de Presley, de gatinhas a babás, como se sua vida tivesse tristemente descendido em espiral.
Baby, Let’s Play House contém uma abundância de ilustrações, com fotos de Presley e suas namoradas. E as fotos contam uma história poderosa. Por uma vida inteira, ele se envolveu destemidamente com mulheres que lembravam sua mãe Gladys, de cabelos castanhos e olhos expressivos. Primeiro, vieram meninas sem grandes atributos. Depois, embora no mesmo estilo, elas foram ficando cada vez mais belas enquanto o estrelato de Elvis ascendia, chegando ao auge, em que o cantor passou a se envolver com mulheres quase tão atraentes quanto ele.
Após a morte de Gladys em 1958, seu filho arrasado começou a sair dos trilhos, e as mulheres passaram a ser cada vez menos do tipo que se apresenta à sua mãe. As últimas fotos de Elvis mostram o cantor com o olhar sem vida de John Belushi, sem prestar muita atenção em suas companheiras femininas, fossem elas quem quer que fossem.
Nash conta uma versão longa, repetitiva e suja dessa história dramática. Sua premissa central – apoiada por Peter O. Whitmer (The Inner Elvis) em seu papel de psicólogo do livro, e reforçada por termos como “individualizar”, “luto contido”, “dimorfismo sexual”, e “equilíbrio estrogênio-androgênio” -, é de que a perda do irmão gêmeo de Presley no nascimento colocou o cantor em uma busca contínua pelo companheirismo que nunca conseguiu de fato encontrar, e que sua proximidade extrema com a mãe não deixou espaço para outras mulheres adultas.
Usando detalhes de muito mau gosto, mesmo para os fãs mais voyeurísticos, a autora mostra evidências do desenvolvimento sexual atrasado de Elvis, suas inseguranças físicas e predileção geral por garotas de 14 anos que ele via como não ameaçadoras. Às vezes, ele realmente fazia festas do pijama e ensinava as garotas a colocar maquiagem nos olhos e arrumar o cabelo.
Alguns detalhes em Baby, Let’s Play House evocam o estilo biográfico voltado às massas de Albert Goldman. E Nash, ao brincar com a curiosidade do público, não faz cerimônia ao usar Goldman como fonte. Ela também reconta as memórias de cada namorada que acreditava ser o verdadeiro amor de Elvis (”Fui eu que o dispensei”), os estilos criativos de muitos escritores anônimos e o tom de conto de fadas de Priscilla Presley, a esposa de Elvis. (”Eu achava que vivia dentro de um sonho. Só que o sonho havia se tornado realidade. Eu fui pra casa com Elvis.”) Embora Nash seja em geral justa com suas referências, ela às vezes cria a impressão equivocada de que o material emprestado dos sites de fãs é: a) atual; e b) de sua propriedade.
Mas ela também fez sua própria pesquisa destemida. Algumas apresentadas de forma memoravelmente curta e grossa. Considere essa fala de Patti Parry, a solitária amiga do círculo íntimo de Elvis: “Motorista de caminhão de 19 anos se torna superestrela e supergaranhão, coisas que ele não era.” Ou essa de Lamar Fike, um de seus amigos mais próximos: “Vou descrever a relação de Elvis com Priscilla em poucas palavras. Você cria uma estátua. E então se cansa de olhar para ela.” Ou de Sheila Ryan Caan, uma das raras namoradas que sentia liberdade para fazer gozação do estilo das roupas de Elvis: “A Cruela sabe que você pegou a capa dela esta noite?”
A despeito de como Nash acumulou e reuniu esse material, ela consegue coletar toda a loucura, maldade e tristeza do mito Elvis em um volume exaustivo e (convenhamos) constrangedoramente tentador. Embora ela com certeza vá ser criticada por deixar o imperador sem roupas, ela também escreve com admiração. E depois de apresentar o que parece ser uma parada infinita de amantes (ele havia passado de jovens estrelas para caixas de banco em seus meses finais), Nash obtém as últimas palavras sobre garotas de Elvis em seu estado mais fatigado.
“Por que diabos você a atura?”, Billy Smith, primo de Presley e membro de sua comitiva, conta a Nash o que ele havia perguntado a Elvis sobre Ginger Alden, a amante que estava dormindo no quarto ao lado quando ele morreu. O Rei disse: “Estou ficando velho e cansado demais para treinar outra.”

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