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julho 31, 2009

Entrevista com Charlie Hodge


Charlie Hodge, era o ajudante de palco de Elvis. Charlie entregava os lenços e oferecia água para o rei. Algum tmepo atrás ele deu uma entrevista e falou sobre sua amizade com Elvis.

Quando foi a primeira vez que ouviu o nome de Elvis Presley?
Wanda Jackson tinha completado sua turnê do Grand Olé Opry e disse: "Charlie, você já ouviu falar de Elvis Presley? Parece que ninguém consegue acompanha-lo". Por isso, eu quis ver este jovem artista. Vi-o pela primeira vez no Ed Sullivan Show, cantando "Blue Moon of Kentucky" como nunca tinha ouvido antes. Deixou-me perplexo. Fiquei impressionado. Lembro-me de pensar que aquele tipo era o melhor. Ele simbolizava o inicio de uma nova era de estilo musical.

Quando conheceu Elvis pessoalmente?
Nos bastidores, em Memphis. Eu estava num espetáculo da estação de Televisão ABC, tinha o melhor grupo de gospel daquela época. E vocês sabem que Elvis amava música gospel. Ele tinha ido aos bastidores para me conhecer, a mim e ao meu quarteto. Não voltei a vê-lo até ele ser destacado para servir o exército. Ele não me reconheceu. Eu tinha um corte de cabelo que era o meu melhor disfarce. Fui ter com ele e perguntei-lhe quando foi a última vez que ele tinha visto a Wanda. Ele olhou para mim e disse: "Hey, sua cara me parece familiar" e eu respondi: "Sou o Charlie, fui vocalista dos Foggy River Boys". "Hey, eu te via todos os sábados à noite" disse Elvis. Estão imaginando o Elvis me ver???

Esteve com Elvis na Alemanha?
Sim, fomos ambos para Fort Hood. Mas nunca ficamos juntos no mesmo posto. Na viagem de trem para Jersey é que estivemos a conversar sobre pessoas que conhecíamos no mundo gospel. No navio para a Alemanha ele pediu-me para dividirmos o compartimento. Inicialmente, ele tinha sido colocado com uns sargentos para que as tropas não o aborrecessem, mas ele não conhecia ninguém. Então, ele foi falar com o capitão e pediu para ficarmos juntos e o resto, como se diz, é história.

Como Elvis era tratado no exército?
Lembro-me de uma vez estarmos todos a dormir, comer e viver no meio da neve e um coronel apareceu e disse a Elvis que ia para Miami para uma grande convenção e depois seguiria para Paris. Ele olhou para esse coronel e disse: "Senhor, estão aqui 15 mil homens que, tal como eu, estão dormindo debaixo do gelo e, para mim, abandona-los e ter este tratamento especial e depois voltar e olhar-los no olho...não conseguiria fazer isso"...

Quais eram os músicos preferidos de Elvis?
Ele gostava de todos os tipos de música. Tinha muitos álbuns. Vários artistas de country, pop e gospel. Ouvia muitas vezes Mario Lanza. Mesmo em Memphis, quando era jovem, ia muitas vezes à um lugar chamado Blues Alley e passava horas ouvindo cantores de blues. Ele ouvia desde gospel até música sinfônica. Ele apreciava diferentes e variados estilos musicais. Mas adorava gospel, em especial J.D. Sumner. J.D. costumava deixar Elvis entrar nos bastidores para ver os Blackwood Bothers cantar. Naquele tempo, Elvis tão pobre que nem tinha dinheiro para ver o grupo atuar, por isso, J.D. deixava-o entrar. Elvis nunca esqueceu do que J.D. fez por ele...

Quais eram as influências de Elvis?
Vocês ficariam surpreendidos, ele usava certos sons, a que chamava a sua voz de Billy Erstein, na música "Fame and Fortune". Ele adorava a voz de Mario Lanza e conseguia mesmo cantar tão alto como ele. Elvis tinha uma extensão vocal de três oitavas, o que é fantástico para um cantor sem formação. Ele nunca teve aulas de canto na vida. De qualquer maneira, a nota mais alta que o Mario Lanza conseguiu foi um Dó acima do Dó central e eu ouvi Elvis cantar um Dó acima muitas vezes em palco.

Qual era o álbum favorito de Elvis?
Elvis tinha uma grande variedade de álbuns. Acho que sua escolha iria recair em qualquer álbum gospel que ele gravou.

Você participou de vários filmes de Elvis, não foi?
Participei de "Clambake", no papel de barbeiro. Apareci fugazmente em "Charro", fazendo um mexicano, na cena em que Elvis aparece na cidade. Também entrei em "Stay Away Joe". Lembro-me de um episódio engraçado, onde numa cena de pancadaria dentro de casa, Elvis olhou para a porta da rua, onde eu estava com a banda. A câmera estava filmando Elvis do seu lado esquerdo e ele diz para tocarmos alguma coisa que estão com problemas dentro de casa e ambos desatamos a rir e isso não estava no roteiro. A razão para nós rirmos tanto, foi que estava muito frio e o nariz dele estava pingando. Numa outra cena, Elvis está perseguindo sua mãe, e ele pega nela e desata a rir. O que aconteceu foi que o Joe Espósito e eu estávamos ajoelhados no chão, fora do alcance da câmera. Joe disse: "Hey Charlie, agarra Elvis entre as pernas", eu respondi: "Não, agarra você". Elvis olhou para baixo e desatou a rir...

Como que era Las Vegas?
Elvis não atuava ao vivo desde 1961, e a primeira vez que esteve em Vegas foi vaiado. Quando eu estava com ele, ficava parado e com um sorriso aberto e eu percebia que ele queria uma bebida. Recordo-me de uma jovem japonesa ter subido no palco, Elvis virou-se para ela e perguntou-lhe o que ela queria: um lenço ou um beijo. Ela olhou para ele e disse que não. Elvis perguntou novamente o que ela queria e a jovem disse James Burton. Elvis deu uma gargalhada estrondosa e acompanhou-a até ao James Burton que a beijou. Depois ficou em frente à Elvis. Ele perguntou se havia mais alguma coisa e ela disse que queria um lenço e um beijo. Elvis pôs o lenço em volta dela e ela pediu o beijo. "Charlie, - berrou Elvis - dê um beijo na jovem" e saiu rindo...

Onde estava quando Elvis morreu?
Fiquei em estado de choque. Ainda na noite anterior tínhamos ido ao dentista e lembro-me de Elvis estar brincalhão e divertindo-se. Ele estava ansioso pela nova turnê. Até tinha umas canções novas que queria cantar. Telefonei ao Felton jarvis, depois fui me deitar. Foi a última vez que eu vi Elvis vivo. Estava tudo correndo bem. Elvis tinha planejado começar a sua própria produtora para fazer filmes e escolher seus próprios roteiros.

Você tem a sua própria teoria sobre a causa da morte de Elvis?
A verdade é, e ninguém alguma vez me convencerá do contrário. É muito simples: Elvis teve um ataque cardíaco.

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